quarta-feira, 14 de abril de 2010

Histórias para contar.


Tenho muitas histórias para contar.
Aliás, acho que todo mundo tem. Ou, pelo menos, deveria ter. A nossa própria vida é uma história, com todos os desdobramentos imprevisíveis que uma boa história precisa ter.
Tem gente que vive em crônicas, tem gente que vive numa saga interminável, tem gente que vive poesia. Tem gente que vive, por incrível que pareça, em hai-kai.
Acho que sou crônica o tempo todo: cada dia uma, com uma tema diferente, um olhar específico para cada assunto.
Talvez seja por conta da minha profissão. Tem até uma brincadeira que diz que assessor de imprensa conhece um oceano de coisas, com a profundidade de um dedo. Já fui assessora de Danoninho, de defensivo agrícola, de chocolates, biscoitos, sucos, sobremesas, moda, médicos, laboratório farmacêutico, educação e mais um monte de outras coisas. E para escrever e divulgar tudo isso, precisei ler, pesquisar.
Além disso, tem um traço da minha personalidade que me faz ter atenção em tudo isso e, assim, ligar um assunto com outro é apenas questão de memória
Nessa minha profissão, exercida desde 1996, coleciono muitos micos - uns deprimentes, outros hilários, como a vez em que a marca de sobremesa láctea cremosa (melhor não dizer a marca aqui...) que eu atendia resolveu fazer uma ação para combater um produto lançado pelo concorrente. A brilhante idéia era apenas misturar o doce no sabor chocolate com leite e levar ao microondas (para ter um chocolate quente super-cremoso), e o meu trabalho consistia em oferecer a novidade aos jornalistas, dando de brinde uma caneca.
Até aí, OK.
No meio da entrega dos brindes recebo a notícia de que a caneca não podia ser levada ao microondas, e que também não comportava todo o conteúdo do preparo.
Conclusão: tive que ligar para todos os jornalistas da minha lista e avisar que a caneca era só um "mimo" (ou seria um mico??).
Tem também a história do médico cirurgião vascular que realizava cirurgias de aumento peniano, e eu tinha que divulgar a proeza do doutor, é claro. Duro mesmo (com o perdão do trocadilho infame) era a risadinha abafada e tensa dos jornalistas do outro lado da linha. Graças a Deus não consegui emplacar nada...
Tem também a comédia da vida privada. Algo bem particular, meu.
Costumo rir das minhas trapalhadas (como o dia em que bati a cabeça no suporte do microondas ao tentar salvar um copo que "pulou" do escorredor de louças. Ganhei um galo na testa e o copo espatifou no chão).
Costumo dizer "bom dia, Dia" todas as vezes que vejo o sol nascendo, mesmo achando isso brega. Também costumo olhar fotos para reviver as histórias. Tem algumas que ainda estão tão vivas na minha memória que cheiros e sensações parecem estar impregnados no papel.
Tenho muita história pra contar.
Já vivi muita coisa e sei que ainda vou viver muito mais.
Tenho muita história pra contar porque meus dias não são vazios. Aliás, minha vida é repleta de acontecimentos enriquecedores - bons e ruins. Tenho fases que viram histórias. Assim como histórias, que ficaram presas em tempos que não voltam mais.
Estou chegando aos 36 anos, tenho um filho de 10 anos e lá se vão quase 14 de profissão. Ainda sou solteira. Ainda sonho em ter um companheiro. Ainda penso em ter uma família maior.
Também penso em ter minha lojinha de artesanatos, ou minha floricultura, ou uma loja de paisagismo. Ainda penso em ir embora de São Paulo, morar perto de uma praia, ter uma vida mais tranquila.
Conto todos os dias a história dos meus sonhos, dos meus planos, porque dessa forma me mantenho viva.
E assim vou contando pra mim mesma a história da minha vida. Porém, há alguns dias venho escutando algo que já não satifaz mais. Talvez porque já está na hora de começar outro capítulo. Afinal, a mocinha anda precisando de um final feliz.

Um comentário:

Luciana Santos Silva disse...

lindo, lindo, lindo

Saudades!