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quinta-feira, 16 de abril de 2009

Fracassos. Ou simplesmente um novo começo.


Novamente me vejo obrigada a parar tudo e recomeçar.

E dessa vez o motivo é apenas um: fracasso.

Fiquei muito aquém dos meus objetivos, que não eram impossíveis de serem alcançados. Mas eu falhei e falhei feio. O pior é que foi comigo mesma.

Daí que é impossível olhar no espelho e simplesmente dizer: 'querida, sinto muito, mas eu não consegui'.

O fato é que há uns meses propus mudanças em minha vida. A começar pela saúde física.

e foi justamente aí que a coisa desandou.

Não é segredo pra ninguém que brigo com a balança desde que o Lucca nasceu. Na verdade, a coisa toda começou durante a gravidez porque engordei 20 quilos. E nunca mais meu corpo foi o mesmo.

Tem também o fato de que a minha tireóide deixou de funcionar corretamente logo após o parto. A minha é mais lenta, não metaboliza os hormônios de forma correta, e me faz ter o uso obrigatório de hormônios sintéticos.

Além disso, sofro de uma ansiedade monstruosa, principalmente durante a TPM.

Já fiz acupuntura, tomei florais, me consultei com médicos fitoterápicos, psicóloga, enfim, tento de tudo um pouco para aplacar esse "inferno".

Somando-se a isso tudo tem o lado emocional, que anda bem baqueado há tempos. É uma verdadeira salada mista de profissional, afetivo, familiar, que desencadeia a tal da ansiedade.

E daí eu como. Não funciona só como uma fuga. A coisa é pior porque tenho prazer em comer. e eu não estou falando em porcarias ou fast foods. Gosto de comida mesmo, inclusive saladas, frutas, verduras e legumes. Sempre fui "boa de garfo", mas nunca passava daquilo, ou melhor, nunca ia além da minha satisfação física.

E agora essa satisfação está ficando impossível de saciar.

Isso não é uma desculpa esfarrapada. É a mais absoluta verdade.

E me dói dizer isso de cara. Assim como me dói olhar no espelho e ver um borrão de mim mesma.

Não há beleza nem em meus olhos, nem em meu olhar.

Cheguei no meu limite emocional e físico com esse assunto.

Não é fácil procurar calças largas e casacos para esconder o que é ridiculamente visível.

Abrir as gavetas e constatar que você era outra coisa até bem pouco tempo é por demais doloroso.

Ver fotos minhas de antes e me olhar agora é o mesmo que uma mutilação pra mim. Não me reconheço em nada.

Não há autoestima, não há vontade de ser interessante, não há vontade de estar bonita.

Não me arrumo mais como tanta vontade, com prazer.

E, para quem não me conhece, ainda não virei uma obesa mórbida. Mas estou muito além do que, de fato, deveria estar. Exatos 15 quilos.

Acontece que eu tinha proposto a mim mesma uma mudança radical de comportamentos e atitudes. Durou duas semanas.

Fracasso total...

Sem apoio de ninguém (porque nessas horas as pessoas apontam só o que está errado), ouvia diariamente: "você acha que andando vai perder peso?","você tem que tomar remédio pra emagracer", "você tem que ficar umas duas horas por dia na academia", "você tem que passar fome".

Daí me sabotei de vez e parei com tudo. Não queria tomar remédios controlados, muito menos ficar horas na academia (como se eu tivesse tempo!!).

Precisava de apoio. Mais nada.

E, para ajudar ainda mais, quando comecei a morar sozinha, passei a cozinhar todos os dias e descambei de vez, ladeira abaixo.

Ontem estive em uma outra médica endocrinologista e, ao descer da balança, precisei me controlar para não ter uma crise de nervos ali.

Cheguei em casa e chorei a tarde toda.

Hoje acordei com a urgência de mudar tudo isso. Fui fazer os exames de sangue e agora a tarde vou fazer a ultrassonografia da tireóide.

Também vou voltar a andar. Devagar, no meu compasso, no meu ritmo.

Um passo de cada vez e eu mudo isso. Não importa o tempo que levará.

O que vale mesmo é que volte a me encontrar no espelho. E dentro de mim mesma.

Porque um fracasso nada mais é do que a vida te dizendo: "vai, levanta e começa de novo. Só que agora faz diferente."